Artigo: Porque Jorge Jesus Era ODIADO Pelos Jogadores do Benfica?

Jorge Jesus já foi despedido do Benfica mas as consequências da sua precária construção do plantel ainda se fazem sentir pela Luz.

Em entrevista ao canal dos ‘encarnados’, Rui Costa contou todo o processo que levou à saída do técnico amadorense dos encarnados. Nós aqui no MTL vamos ainda mais longe ao aprofundar o verdadeiro motivo de Jorge Jesus ser odiado pelos jogadores no Benfica, e que consequentemente levou ao seu despedimento.

A segunda passagem de Jorge Jesus como treinador do Benfica terminou a 28 de dezembro de 2021, de forma mais do que esperada, depois de um percurso de um ano e meio marcado por sucessivas frustrações e a ausência de títulos.

Após ter entrado para a história do clube como o técnico mais galardoado, ao somar 10 troféus entre 2009/10 e 2014/15, Jesus voltou em 2020/21 como vice-campeão mundial em título e com a moral em alta, mas nem um ‘caneco’ conseguiu juntar para ‘amostra’.

A 03 de agosto de 2020, numa conferência de imprensa realizada no Benfica Campus, no Seixal, o técnico prometeu “arrasar” e “jogar o triplo”, mas nunca o conseguiu, acabando por passar toda a época passada a ser ‘cobrado’ por essas promessas.

Talvez por isso ainda se lamenta das oportunidades que não vingou. Pois segundo as últimas escutas do processo ‘Cartão Vermelho’, Jorge Jesus foi apanhado a contestar ao empresário bruno Macedo, os centrais que tinha à disposição, e mais do que isso, a sua convicção em contratar um guarda-redes. Para ele Ody não chegava!

Muitos adeptos não foram favoráveis ao seu regresso – após a saída para o Sporting depois dos primeiros seis anos – e outros tantos foram-se juntando ao ‘coro’.

A derrota caseira com o campeão Sporting, que se impôs na Luz por 3-1, em a 3 de dezembro, criou um clima ‘insustentável’, adensado ainda mais pela derrota por 3-0 na quinta-feira, com o FC Porto, no Dragão, para a Taça de Portugal.

Algum tempo depois, o ‘divórcio’ foi oficializado, com Jesus a sair depois de somar 52 vitórias, 17 empates e 14 derrotas, com 182 golos marcados e 80 sofridos, na segunda passagem, marcada, sobretudo, pela ausência de títulos, durante um ano e meio.

Porém esta rotura teve contornos especiais, uma vez que foram os próprios jogadores que começaram a desacreditar nas ideias do técnico. E Pizzi terá sido o porta-voz do plantel, como um dos mais maduros e experientes no balneário nas Águias. Jorge Jesus não gostou mas Rui Costa afirma que o médio não foi o responsável pela saída do treinador.

“De facto, houve essa desavença entre jogador e treinador, que se deram sempre super bem, ao qual a equipa manifestou apoio ao Pizzi. Após esse incidente, o que fiz foi coordenado com Jorge Jesus. O Pizzi não foi excluído até final da época, foi apenas um castigo naquele dia”

“o que depois levou à saída de Jorge Jesus não foi a questão Pizzi”, mas sim o facto de os jogadores terem ficado “do lado de lá e não do lado de cá, até porque o incidente acontece no jogo com o FC Porto, onde Jorge Jesus nem sequer estava no balneário”, percebendo então o técnico “que há uma quebra na relação”.

Na origem desta situação terão estado alegadas palavras de Pizzi no balneário após o clássico no Dragão, que não terão agradado ao treinador das águias, ele que até assistiu à partida num camarote por estar castigado, mas que teve conhecimento dos comentários do camisola 21 já à posteriori.

Desta forma, Rui Costa e Jorge Jesus chegaram “à conclusão de que todo o caminho dali para a frente seria mais complicado”, num mês de Dezembro de “extraordinária dificuldade”, com duros desaires frente aos rivais Sporting (3-1) e FC Porto (3-0 e 3-1).

“Se calhar, exigia-se logo uma explicação da minha parte. Não quis criar mais atrito à volta da situação e preparar o melhor possível a equipa para o jogo do campeonato. Não queria tirar o foco ao novo treinador, falando só do que aconteceu antes”, frisou.

Segundo o Jornal aBola na sua edição de 28/12, Pizzi e Tiago Oliveira, um dos adjuntos da equipa técnica de Jorge Jesus, acabaram por trocar palavras mais acesas ao ponto de obrigar Luisão, secretário técnico, a intervir para acalmar os ânimos exacerbados.

É possível perceber que o foco poderá ter sido Pizzi que depois alastrou as suas crenças a alguns elementos preponderantes dos encarnados. O treinador caiu em desgraça, os resultados não apareciam, o que foi uma bola de neve.

Também a história relacionada com o alegado interesse do clube brasileiro Flamengo no regresso de Jorge Jesus, tendo mesmo existido reuniões entre as partes, foi falada por Rui Costa, que falou num “massacre diário” e em que revelou ter pedido a Jorge Jesus para “limpar a cabeça” e dizer perentoriamente que queria continuar no Benfica.

“Isso foi cumprido à regra e o João de Deus, na conferência de imprensa de antevisão ao jogo, disse isso mesmo. A vontade de Jorge Jesus era cumprir o contrato até ao fim. Esse compromisso foi feito e respeitado na íntegra pelos dois.

O líder benfiquista diz que autorizou a reunião entre Jesus e os dirigentes do Flamengo para que o treinador falasse com as pessoas e limpasse a cabeça.

“Houve uma massacre em relação a Jorge Jesus e o Flamengo. Falámos abertamente sobre o tema, mas a vontade de Jesus era permanecer no Benfica. A minha também, porque sou apologista de se cumprir os contratos. Jesus respeitou na íntegra o que lhe pedi, tanto que quando Jesus foi despedido o Flamengo já tinha um treinador. E não era preciso autorização para essa reunião, porque hoje existem telemóveis”, referiu o antigo jogador de Benfica, Fafe, Fiorentina e AC Milan.

Ainda sobre Jesus, Rui Costa assegurou que o abraço que deu ao treinador no final da conferência de imprensa em que foi anunciada a saída do técnico “foi genuíno”. “Jesus conhece-me desde miúdo, até porque somos da mesma zona [Amadora]. Nunca passei por cima de Jesus, nunca irei passar por cima de um treinador. Jesus é um grande treinador e enquanto esteve aqui trabalhou de corpo e alma”, elogiou, assumindo as responsabilidades pelo insucesso desportivo.

Se não há certezas de quem foi a culpa diretamente da saída de Jesus (a menos dele próprio), uma realidade é que saiu pela mó de baixo.