6 Grandes CIDADES de Portugal sem NENHUMA EQUIPA na Primeira Divisão (Parte 1)

Das 159 povoações designadas como cidades de Portugal, apenas algumas delas se podem orgulhar de ter uma equipa na divisão de elite do futebol português. Contudo, se observarmos a região Centro e o interior do país facilmente encontraremos muitas cidades sem clubes na Liga NOS.

Estarão presentes apenas cidades portuguesas com grande densidade populacional, mais especificamente, todas apresentam uma população superior a 50.000 habitantes.

Vamos então conhecer as 6 maiores cidades de Portugal sem NENHUMA equipa na primeira divisão.

Ah e já saiu a parte 2 deste artigo/vídeo (lê o artigo da parte 2 aqui | vê o vídeo da parte 2 aqui)

6. Évora

Há 18 anos que não há uma equipa alentejana na I Divisão. A última foi o Campomaiorense, que desde 2013 nem sequer tem equipa sénior. Já o seu vizinho, o quinto município mais extenso de Portugal, Évora alberga 3 clubes nas raízes da cidade, 2 deles já centenários e outro uma coletividade: o Sport Lisboa e Évora (filial do Benfica).

O primeiro, o Lusitano de Évora, representante alentejano com mais presenças na I Divisão (14, entre 1952 e 1966), vai regressar aos distritais novamente, depois de não conseguir a manutenção no CNS.

Já o Juventude, o melhor que fez foi andar pela antiga 3 divisão nos anos 50 e mais recentemente na CNS em 2009/2010.

Tempos difíceis pelo Alentejo, que dificilmente verá tão depressa uma senda de jogadores como Jimmy Floyd-Hasselbaink ou Isaías que passaram por Campo Maior. Encontrar capital para investir no interior será sempre um problema, mais ainda depois da pandemia vivida recentemente.

Falta aparecer um mecenas que apoie um Campomaiorense, um Lusitano ou um Juventude de Évora, um Elvenses ou um Desportivo de Beja para que o Alentejo volte a poder desfrutar do futebol de primeira jogado nas suas planícies.

5. Leiria

O futebol leiriense tem vivido anos conturbados desde o escândalo que arrebatou o clube na época de 2011 sob a presidência de João Bartolomeu. 10 anos depois de ter chegado à final da Taça Intertoto em casa contra o Lille, que viria a perder no prolongamento por 2-0 , o clube deixou de suportar financeiramente os jogadores, o que culminou com uma rescisão coletiva da maior parte dos jogadores. Ao ponto, de na jornada seguinte contra o Feirense ter ido a jogo com uma equipa inicial de apenas 8 jogadores.

A derrota por 4-0 fez com que uma panóplia de juniores ascendesse À equipa principal e fosse à luz representar o clube leiriense. Que por sinal faz um jogão cheio de raça e mística encapuçada pelos miúdos do UD Leiria, conseguindo sair da Luz com uma derrota pela margem mínima de 1-0.

Todo este processo culminaria com a insolvência da SAD por dividas que ascendiam aos 13.5 €M, sendo o Estado português credor em 3.6€M, divida que viria a abster.

Desde aí novos representantes da SAD passaram pelo clube, com investidores russos metidos ao baralho, alguns dos quais com processos judiciais abertos no MP português.

Com Nuno Cardoso como presidente, o clube leiriense tenta reerguer-se estando agora na fase de apuramento para a LIGA III, a nova competição domestica que se irá iniciar na próxima temporada.

4. Aveiro

Continuamos o nosso caminho pelas cidades de Portugal sem nenhuma equipa na Liga NOS. E agora, na casa de um emblema histórico do Futebol Português, o Beira-Mar, a cidade dos ovos moles viu o clube da terra ter uma época de 90 de ouro, conseguindo a melhor classificação de sempre, o sexta lugar, alcançado em 90/91, seguido do clímax desportivo do clube, a conquista da Taça de Portugal em 98/99 quando venceu o Campomaiorense por 1-0 com um golo de Ricardo Sousa, o filho do treinador António Sousa.

Esta vitória na taça levou o clube aveirense à Europa, trazendo competições europeias para o emblemático estádio Mário Duarte. O recinto com o nome do avô de um dos nossos melhores escritores, Manuel Alegre, conquistou o estatuto de palco complicado por fazer a vida negra aos adversários, com o público a escassos metros do terreno de jogo lembrando a arquitetura dos estádios britânicos.

Contudo, tal como Leiria, foram os problemas financeiros que também levaram o clube mais representativo da cidade para as competições distritais em 2014.

Em 2019, o Beira-Mar passou definitivamente para o Estádio Municipal de Aveiro depois do antigo Mário Duarte iniciar o seu processo de demolição para dar origem à ampliação do Hospital de Aveiro.

Depois de ter começado bem esta temporada, Ricardo Sousa viu a sua equipa perder força, culminando no seu despedimento. O clube aveirense
escolheu Manuel Rodrigues para o suceder e conseguir a permanência no CNS mas não conseguiu, ficando empatado com o SC Espinho mas perdendo no confronto direto.

3. Barreiro

Bem-vindos à margem sul de Lisboa, região de futebol, e que na maioria se associa a um clube, o Vitoria FC, de Setúbal.

Se rebobinarmos a fita atrás dos registos históricos da 1ª Divisão, nos anos 60 encontramos uma povoação que causava furor, o Barreiro. Este município era a casa da Companhia União Fabril, a CUF, que durante duas décadas (40-60) foi um dos mais competitivos clubes do país, e que hoje em dia é representado em parte pelo GD Fabril. Paralelamente, o FC Barreirense também foi um grande na primeira divisão na mesma altura, emblemas que na altura rivalizavam com os grandes de Lisboa.

Quanto a registos no principal escalão português, os alvirrubros somaram 24 temporadas nesse patamar, estreando-se em 37/38 e apesar de quase uma década de ausência entre 1942 e 1951, foi nos anos 60 e 70 que os alvirrubros atingiram o auge, conseguindo o 4º lugar na liga em 1969/70, o seu melhor registo.

Apesar de manterem alguma consistência, sobretudo a meio da tabela, em 1978/79 o emblema acabaria por descer de divisão e, desde então, nunca mais jogou na Primeira Liga.

Esta época, o GD Fabril não conseguiu evitar a despromoção do CPP enquanto que o Barreirense mantém-se a competir na 1ª divisão da AF Setubal.

2. Coimbra

Uma das cidades de Portugal mais emblemática. Coimbra é conhecida pela vida académica, contudo não são só as universidades que são das primeiras no Mundo, porque o emblema que surgiu da ligação entre o Clube Atlético de Coimbra (fundada em 1861) e Academia Dramática, a tão conhecida Académica de Coimbra, é também um dos clubes pioneiros mundialmente, sendo fundado no longínquo ano de 1887.

O clube desde aí alterna entre a primeira e a segunda divisão portuguesa, tendo registado o seu momento áureo em 2012 quando conquistaram a taça de Portugal sob o comando de Pedro Emanuel.

Contudo a Académica não é o único clube da cidade porque o União de Coimbra que agora milita na Divisão de Honra da AF Coimbra também já pisou os palcos da primeira divisão portuguesa. Em virtude desta rivalidade histórica, será criada uma Taça por empresas que patrocinam os dois emblemas, com o intuito de manter vivo o dérbi da cidade de Coimbra. O jogo será sempre realizado no início de cada temporada.

1. Setúbal

A época de 2019/2020 foi negra para a cidade sadina. O Vitória, que é enorme e é de Setúbal, deixou de andar entre os maiores do futebol português.

Quando na última jornada da I Liga 2019-20 Lito Vidigal e os seus jogadores conseguiram a manutenção, a festa saltou dos relvados para as ruas de Setúbal. Os adeptos quiseram festejar a manutenção com a equipa, mas estavam longe de saber que uns dias depois a felicidade ia dar lugar a angústia e medo. A Liga Portugal não aceitou a inscrição do clube sadino por incumprimento das regras e condenou-o a uma descida de duas divisões.

O clube sadino foi um dos oito clubes fundadores do Campeonato Nacional da Primeira Divisão em 1934-35, tendo-se ficado logo na primeira temporada em quinto lugar. Os anos 60 foram gloriosos, tempos estes do “Super-Vitória”, como escrevia o DN da altura, e em 1971-72 quase chegou ao título com José Maria Pedroto no banco e Jacinto João, Félix Mourinho e José Torres em campo.

O efeito ioiô só parou no início do século XX. Em 2007-0,8 os sadinos liderados por Carlos Carvalhal ficaram em sexto lugar, foram à final da Taça (perderam com o FC Porto) e conquistaram a Taça da Liga frente ao Sporting. Desde que regressou ao convívio entre os grandes, em 2004-05, que o fado do Vitória é sempre o mesmo: a luta pela permanência.

Falamos de emblemas com muita história no futebol português neste vídeo, mas como afirmei estas são apenas as 6 maiores cidades de Portugal sem nenhuma equipa no escalão máximo mas há uma panóplia restante delas…

Para ti, quando falamos neste assunto, que cidade portuguesa te vem à memória? Segunda pergunta, destas 6 cidades portuguesas qual achas que terá mais rápido uma equipa na Liga NOS?

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